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Rio de Janeiro contra o desmatamento: como o Olho no Verde monitora a Mata Atlântica por satélite e previne crimes ambientais

Rio de Janeiro contra o desmatamento: como o Olho no Verde monitora a Mata Atlântica por satélite e previne crimes ambientais

Em nova fase, projeto amplia área de monitoramento e ganha mais agilidade na fiscalização de práticas ilegais.

Amigos, com a ajuda das imagens de satélite do programa Olho no Verde, nosso Estado hoje consegue identificar desmatamentos de até 300 metros quadrados e assim reprimir esta prática ilegal e tão cruel para com a Mata Atlântica. Em funcionamento desde 2016, ainda durante a minha gestão na Secretaria do Ambiente, esta tecnologia passou a monitorar permanentemente todas as áreas florestais do Rio de Janeiro e mudou a forma de cuidar da nossa mata, com a melhor prevenção e combate aos crimes ambientais.

Agora, dois anos depois do início de sua operação, o projeto Olho no Verde ampliou seu objetivo: além da meta de alcançar o desmatamento ilegal zero no Rio de Janeiro até 2018, também prevê ações para recuperar as áreas degradadas e proteger os mananciais de abastecimento de água. Isto com uma atuação lado a lado com o trabalho do CAR - Cadastro Ambiental Rural.

O projeto hoje funciona com dois componentes: um é o mapeamento do uso do solo e cobertura vegetal para as regiões hidrográficas do Médio Paraíba do Sul, Piabanha, Rio Dois Rios, Baixo Paraíba do Sul, Macaé e das Ostras, Baía de Guanabara e Guandu - área equivalente a 87,6% do território do Estado; e o segundo é a identificação periódica de mudanças na cobertura florestal de áreas prioritárias de Mata Atlântica e no entorno de unidades de conservação.

Em dezembro, cerca de 15 mil metros quadrados de vegetação retirada de forma ilegal foram identificados no Parque Estadual Cunhambebe, no município de Rio Claro. Só em outubro do ano passado, esta região havia gerado 42 alertas no Olho no Verde.

Zona de amortecimento do Parque Estadual do Cunhambebe. Fonte: Revista Ineana.
 

Também no final de 2017, identificamos um desmatamento de cinco mil metros quadrados em Guaratiba, na cidade do Rio de Janeiro. Esta região, bem como no entorno do Parque Estadual da Pedra Branca, vem sendo bastante pressionada pelo aumento de construções irregulares e extração ilegal de materiais como a areia. Tanto é que em apenas um ano e meio Guaratiba chegou a receber 50 alertas.

Quando realizamos o Dia Olho no Verde, em setembro, foi feita uma grande operação para identificar, simultaneamente, a prática de desmatamento ilegal em diferentes locais do Estado. Foram monitoradas 29 áreas no Rio de Janeiro, Mendes, Nova Iguaçu, Silva Jardim, Angra dos Reis, Cambuci, Guapimirim, Mangaratiba e Teresópolis. Resultado: cerca de quatro hectares de área verde suprimida em 23 pontos.

Se analisarmos o perfil dos desmatamentos, vemos que a crescente urbanização, principalmente na região metropolitana, tem bastante influência neste cenário. Já nas áreas rurais, a perda de Mata Atlântica está quase sempre relacionada à agricultura e pecuária. O subsecretário de Meio Ambiente, Rafael Ferreira, explica ainda que muitas vezes esta prática acaba relacionada a outros crimes:

“Muitas vezes, esses crimes acabam relacionados a outros, como milícia e tráfico, por exemplo. A intenção é flagrarmos os desmatamentos ainda em fase inicial e preveni-los, criando um efeito Big Brother de monitoramento constante, mesmo nas áreas mais distantes”.

Os resultados das operações de fiscalização realizadas pelas equipes da Coordenadoria de Fiscalização do Inea, Superintendências Regionais e unidades de conservação, com apoio da Polícia Ambiental Militar (UPAm), mostram o seguinte cenário em relação aos alertas emitidos e áreas de desmatamento identificadas:

 

Ao analisar a perda de vegetação, o último ranking dos municípios ficou o seguinte:

 

A segunda fase do projeto começou em março de 2017 e ampliou também as parcerias com as prefeituras, além de contar com o apoio do IBAMA e do Ministério Público. Assim, aumentamos a capacidade de resposta a práticas ilegais e também a abrangência da área de monitoramento.

O olho que mostra o que antes não víamos.

O avanço do Olho no Verde gerou importantes mudanças no trabalho do Inea. Os alertas de desmatamento e os resultados das operações realizadas pelas equipes de fiscalização agora são registradas em uma plataforma de mapas online que permite tomar as medidas necessárias de forma mais rápida, eficiente e transparente.

Semanalmente, é monitorada a cobertura verde de uma área de sete mil quilômetros quadrados, onde se localizam os principais remanescentes de Mata Atlântica do Rio de Janeiro. As imagens captadas são enviadas para o laboratório de georreferenciamento da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Zona de amortecimento do Parque Estadual da Pedra Branca, no Rio de Janeiro, onde foram suprimidos 9.000 m² de vegetação para construir um condomínio residencial. Fonte: Revista Ineana.
 

Desde 2016, foram identificados 270 casos de desmatamento ilegal, o que soma cerca de 830 mil metros quadrados de mata retirada. Algumas operações bem-sucedidas que podemos destacar ao longo do projeto são:

  • Zona de amortecimento do Parque Estadual do Cunhambebe - Rio de Janeiro: construção residencial sem licença suprimiu 4.600 m² de vegetação e recebeu 10 alertas. Os proprietários foram autuados e a obra embargada.

  • Zona de amortecimento do Parque Estadual da Pedra Branca - Rio de Janeiro: construção residencial suprimiu 9.000 m² de vegetação. A atividade foi embargada e o maquinário apreendido.

  • Zona de amortecimento do Parque Estadual da Pedra Branca - Rio de Janeiro: identificação do corte de árvores sem autorização em estágio inicial em área de 1.500 m².

  • São José do Turvo - Barra do Piraí: supressão de 7.700 m² de vegetação para ampliação de pastagem. Proprietários autuados.

  • Refúgio da Vida Silvestre do Chauá - Cambuci: supressão de 3.000 m² cobertura florestal, com atividade multada e embargada.

  • Parque Estadual da Lagoa do Açu - Campos dos Goytacazes e São João da Barra: 5.000 m² de supressão de vegetação de restinga. Proprietários multados e a atividade embargada.

  • Ilha do Maia, Área de Proteção Ambiental (APA) de Tamoios - Angra dos Reis: supressão de 3.700 m² de cobertura florestal. Proprietário autuado e a obra embargada.

  • Reserva Ecológica da Juatinga - Paraty: supressão de 6.000 m² de vegetação para extração ilegal de madeira para comércio. Prisão de dois suspeitos e motosserra apreendida.

  • Área de Proteção Ambiental (APA) da Bacia do Rio São João / Mico-Leão Dourado - Casimiro de Abreu: supressão de 3.400 m² de vegetação para construção de residências.

  • Aldeia Velha, Área de Proteção Ambiental (APA) da Bacia do Rio São João / Mico-Leão Dourado - Silva Jardim: embargada a atividade de supressão de 5.200 m² de vegetação.

O gestor do Parque Estadual Cunhambebe, Juliano Gobbi, aposta no potencial do Olho No Verde para realizar uma melhor gestão ambiental da área:

“Este é um projeto pioneiro e que tem dado excelentes resultados. Através dos alertas emitidos por esse projeto, nós conseguimos identificar os desmatamentos ilegais e assim direcionar as equipes de fiscalização”.

Para preservar um bioma tão importante como a Mata Atlântica é preciso investir continuamente em tecnologia e ações de combate ao desmatamento, reprimir os infratores e buscar a revitalização das áreas degradadas.

Quer saber mais sobre o cenário do desmatamento no Rio de Janeiro e as principais medidas realizadas para preservar a Mata Atlântica? Baixe o nosso e-book Mata Atlântica: a restauração do verde. Boa leitura!

Grande abraço,

André Corrêa

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