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PROJETO OLHO NO VERDE MONITORA ATÉ SETE MIL KM² DE DESMATAMENTO POR IMAGENS DE SATÉLITE

PROJETO OLHO NO VERDE MONITORA ATÉ SETE MIL KM² DE DESMATAMENTO POR IMAGENS DE SATÉLITE

Sistema já identificou irregularidades em área equivalente a 71 campos de futebol.

Amigos, começamos o ano com a boa notícia de que o Rio de Janeiro mantém 30% da sua área coberta por Mata Atlântica. O monitoramento feito pelo projeto Olho no Verde nos permitiu identificar com precisão esse cenário e hoje nosso Estado conta com o acompanhamento constante da sua cobertura florestal.

Iniciado ano passado em caráter piloto, o Olho no Verde foi lançado oficialmente durante o III Encontro de Secretários de Meio Ambiente dos Estados da Mata Atlântica, no último dia 23 de junho. O projeto é uma das conquistas mais importantes do Rio de Janeiro e representa um avanço na gestão ambiental fluminense.

Hoje o alcance de captura do Olho no Verde é muito maior. Por meio do sensor OLI, a bordo do satélite Landsat 8, é feito o mapeamento sistemático de uma área com cerca de 19.500 quilômetros quadrados, o que equivale a 45% do território fluminense, e o monitoramento contínuo de 6.000 quilômetros quadrados. Até o corte de uma única árvore é identificado com precisão.

O sistema tira fotos aéreas de locais com os principais remanescentes de Mata Atlântica do Estado e identifica, pela alteração de cor, mudanças no padrão florestal. O Inea e a UFRJ, parceira no projeto, recebem um alerta e avaliam se houve supressão da vegetação nativa. Praticamente um “big brother” do desmatamento.

Em 2016, foram selecionados 326 alertas para vistoria do Inea. Desses, 196 indicaram perda de vegetação e/ou intervenção irregular em uma área equivalente a 71 campos de futebol.

O aumento do alcance do Olho no Verde permitiu rastrear áreas de acesso limitado, como propriedades particulares. Um dos casos foi a identificação do desmatamento ilegal de 3.700 metros quadrados em área de proteção ambiental na Ilha do Pai, em Angra dos Reis. Os proprietários foram notificados e a área foi interditada.

Também foram presos em flagrante grupos de desmatamento ilegal em uma área de seis mil metros quadrados em Paraty. As árvores derrubadas seriam vendidas ilegalmente, mas antes disso os responsáveis foram coibidos em plena atividade. Já outra operação em Barra do Piraí, no sul do estado, identificou o desmatamento de 7.700 metros quadrados para pastagem. O proprietário foi devidamente autuado.

Até o momento, também foram feitas operações de fiscalização do Inea nos municípios de Mendes, Mangaratiba, Cachoeiras de Macacu, Niterói, Casemiro de Abreu, Silva Jardim, Campos e Cambuci. A maioria delas ocorreu em áreas de proteção ambiental.

Irregularidades como essas poderiam ficar impunes se não fosse a nova tecnologia do Olho no Verde, que identifica os pontos mais de perto. Por isso, o nosso objetivo é que as operações de fiscalização da Secretaria do Ambiente se intensifiquem ainda mais por meio de parcerias com os municípios.

Somos o Estado que mais cresce em Mata Atlântica nativa no Brasil e o desmatamento ilegal no Rio de Janeiro já é considerado zero por estar abaixo de 100 hectares. Mas, precisamos zerar de vez essa prática criminosa e nociva ao meio ambiente, o que ficou mais fácil com as imagens obtidas por satélite.

 

Números do desmatamento no Rio de Janeiro

 

Ao considerar a área monitorada pelo projeto Olho no Verde, dos 92 municípios do Estado do Rio de Janeiro em 36 foi identificada perda de vegetação nativa. Em 2016 perdemos 709.688,0 m² de florestas.

O Rio de Janeiro lidera o ranking de desmatamento, com o maior índice de supressão: 110.355,8 m², seguido por Rio Bonito (93.983,1), Mangaratiba (62.804,6), Parati (57.512,2) e Cambuci (46.450,2).

Fonte: SOS Mata Atlântica

Itatiaia foi a cidade que menos apresentou alertas ou supressões, com apenas 518,2 m² de desmatamento.

Fonte: SOS Mata Atlântica

Confira abaixo o ranking total dos municípios fluminenses, em relação à ocorrência de mudanças na cobertura florestal, isto é, áreas com vegetação suprimida:

 

O monitoramento permitiu também comparar o perfil do desmatamento no Estado. Na região metropolitana as supressões ocorrem pela urbanização, enquanto nas áreas rurais as pastagens são as principais causas.

 

Metas conjuntas para a recuperação da Mata Atlântica

 

Desde 2015, a Fundação SOS Mata Atlântica reúne gestores ambientais de 17 Estados do país para discutir estratégias de ampliação da cobertura florestal e alcance do desmatamento ilegal zero do bioma até 2018.

Nesse ano, o foco do encontro foram as soluções tecnológicas de fiscalização do desmatamento, como o Olho no Verde. Além disso, outras ações do Estado também foram destaque, como:

  • Mecanismo de restauração florestal: permite ao empreendedor utilizar mecanismos financeiros e operacionais para cumprir reposições florestais. Esse é um trabalho que já está em andamento e temos até o momento 20 termos de compromissos assinados;
  • Mapeamento de áreas prioritárias para restauração florestal com foco na proteção de mananciais de abastecimento: define critérios claros para a seleção de áreas prioritárias para restauração florestal, de interesse para proteção dos mananciais.

Além disso, a Fundação SOS Mata Atlântica apresentou o estudo “Cenários Positivos para o Cadastro Ambiental Rural na Mata Atlântica”, um levantamento sobre a importância do CAR para a preservação e recuperação florestal.
Restaurar o verde do Rio de Janeiro é um trabalho que não vai parar. Junto com iniciativas como a criação e ampliação de unidades de conservação como as RPPNs, parques e monumentos naturais o projeto Olho no Verde ajuda a escrever um novo capítulo para a Mata Atlântica.

Quer fazer parte dessa história? Fique por dentro do assunto com o nosso e-book Mata Atlântica: a preservação do verde.

Grande abraço,
André Corrêa.

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