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Conheça o rio Carioca, o manancial que dá nome a um povo

Conheça o rio Carioca, o manancial que dá nome a um povo

Você já ouviu falar no rio Carioca? Esse é um dos mananciais mais importantes da nossa história e passa por um amplo de recuperação

Há pouco mais de quatro meses, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) iniciou obras na Caixa da Mãe D'Água e no Reservatório Carioca. Esse conjunto de antigos reservatórios de água, eram usados para abastecer a cidade do Rio de Janeiro e foram construídos em 1744 (Brasil Colônia) e 1865 (Império).

O conjunto está localizado no alto da Rua Almirante Alexandrino, em Santa Tereza, sua restauração será concluída no primeiro semestre desse ano.

Esse patrimônio, que por longos anos forneceu água para os nossos antepassados, é um bem tombado pelo Instituto Estadual de Patrimônio Cultural (Inepac) e estava desativado e abandonado.

Veja neste vídeo, um pouco sobre as obras nos reservatórios do Rio Carioca: 

Vistoria e compromisso assumido para início da recuperação do rio Carioca

Ainda como secretário do Ambiente, visitei a Caixa da Mãe D’Água nos primeiros dias de gestão, quando atravessávamos a mais grave crise hídrica registrada em nosso Estado e buscávamos soluções emergenciais para superar aquele desafio.

Naquela ocasião, ao vistoriar o rio, afirmei que mesmo não sendo um bem estadual, pois a competência para cuidar do rio Carioca é da Prefeitura, nós, do Estado, iríamos assumir esse desafio, devido a sua importância histórica e ambiental para todos os fluminenses.

Afinal, o rio Carioca nasce no coração da Floresta da Tijuca, atravessa diversas comunidades e cruza bairros da Zona Sul escondido entre galerias de concreto até desaguar na Baía de Guanabara.

Veja a cobertura da primeira vistoria no Rio Carioca, em 2015. 

Conheça mais do projeto que irá resgatar um pouco da história do Rio Antigo

A obra tem dois objetivos: um é o pilar histórico-cultural, que busca resgatar um importante patrimônio, o outro, ambiental, que tem como objetivo possibilitar que todas as comunidades do entorno passem a ser abastecidas pela água do Sistema Guandu.

Com R$ 10,2 milhões em recursos do Fundo da Mata Atlântica, de compensação ambiental, será possível acabar com tudo o que “sangra” o rio para aumentar sua vazão.

Os passos para mudar esse cenário são dados, mesmo após a minha saída da Secretaria do Ambiente. Na Assembleia, apresentei o projeto de lei n° 3.994/2018 que pretende o tombamento por interesse histórico e cultural do rio Carioca.

Segundo o projeto, fica proibida qualquer descaracterização das áreas remanescentes do rio Carioca, preservando-se suas características e realizando-se ações que objetivem a sua revitalização. Será a primeira vez que um rio será tombado, ao se tornar um Patrimônio do Estado.

Somos cariocas por causa do Rio Carioca

Parece até ironia, mas o rio que é o pai do Rio de Janeiro está enterrado e esquecido. Esse manancial é a origem do nome aos habitantes da cidade. É por causa do rio Carioca que somos assim chamados.

O rio por muitos anos foi a principal fonte de água potável para antiga Capital do Brasil e de abastecimento dos navios que aqui aportavam. Todos os primeiros chafarizes da cidade eram servidos pelas suas águas, inclusive o antigo chafariz que existia no Largo da Carioca.

Você sabia que a água descia pelos Arcos da Lapa até as bicas instaladas no Chafariz da Carioca, que pode ser visto na ilustração abaixo:

Alguns livros citam que o nome Carioca se origina de uma casa de pedra construída na foz do rio, junto ao mar. Em 1503, na sua foz, onde hoje é a Praia do Flamengo, foi construída, a mando de Gonçalo Coelho, uma casa que ficaria para sempre marcada na memória da Cidade Maravilhosa.

Os índios Tupinambás chamavam a casa de pedra de "casa homem branco" que na língua Tupi seria "Carioca". No entanto existem outras versões, uma delas é que "Carioca" significaria "casa da corrente do mato" ou "casa do acari" (ou Akari), um peixe “cascudo”.

O que se sabe com certeza é que as águas do Carioca eram cristalinas. O local onde existiu a tal Casa de Pedra, próximo a foz, era chamado de "Águada dos Marinheiros", pois era naquele local que os homens do mar vinham se abastecer.

Inclusive, o rio Carioca foi a razão da existência da Floresta da Tijuca. Com a ocupação do maciço pelas fazendas de café, a nascente e parte da região que ele percorria teve toda sua flora destruída.

Alguns anos depois, uma grande estiagem que castigou a cidade do Rio de Janeiro e o imperador Pedro II ordenou o replantio de toda a vegetação.

Também é contado que a qualidade das águas do rio eram tinha uma boa fama, e delas surgiu um ditado para se referir à boas coisas - "Isto é bom como a água do Carioca".

Ao livramos o rio Carioca da obrigação de abastecer essas comunidades vamos iniciar a renaturalização do manancial e os exemplos bem sucedidos vêm de outros países, como o Rio Tâmisa, na Inglaterra; o Rio Tejo, em Portugal; o Rio Sena, na França; o Rio Han, na Coreia do Sul e o Rio Cuyahoga, nos Estados Unidos.

Neste link, você poderá conhecer um pouco sobre o que está sendo feito pela renaturalização desses rios. 

Quer acompanhar todos os passos pela recuperação do Rio Carioca? Então siga as minhas redes sociais.

Grande abraço,

André Corrêa

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